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O que é despertar de consciência pra mim?

Uma reflexão sore os muitos anos que vivi como se estivesse adormecida.

O que é despertar de consciência pra mim?

Eu não fazia ideia de que a forma como eu pensava, as escolhas que fazia, a maneira como me relacionava comigo e com os outros poderiam reverberar para além da minha própria vida.

Talvez eu estivesse apenas seguindo aquilo que havia aprendido ser o caminho natural: estudar, trabalhar, me casar, constituir uma família e seguir em frente.

Mas sempre existiu uma inquietação dentro de mim.

Durante muito tempo, eu não soube nomeá-la. Hoje compreendo que aquela inquietude era uma necessidade profunda de entender o que existia além da vida aparentemente “normal” que acontecia ao meu redor.

Eu queria compreender a vida. E, sem perceber, estava em busca de compreender a mim mesma.

Foi em 2010 que iniciei, de maneira mais intencional, uma jornada de autoconhecimento.

No começo, algumas perguntas me incomodavam.

Quem sou eu? Por que estou aqui? O que da minha história me trouxe até este momento?

Pareciam perguntas simples, mas não eram.

Olhar para dentro nem sempre é confortável. Algumas vezes pensei em desistir daquele processo, porque conhecer a si mesma também significa encontrar dores, histórias e partes nossas que passamos muito tempo evitando.

Mas continuei.

Em 2018, com a passagem do meu pai, alguma coisa em mim se transformou profundamente. Tive a oportunidade de estar ao lado dele e cuidar dele durante sua internação. Diante da fragilidade da vida, comecei a perceber de outra maneira tudo aquilo que vinha buscando durante tantos anos.

Foi como se uma chave virasse dentro de mim.

Comecei a sentir, mais do que apenas compreender intelectualmente, que a vida é muito maior do que aquilo que conseguimos controlar ou explicar.

Continuei buscando.

Vieram estudos, formações, retiros, experiências espirituais e diferentes caminhos de autoconhecimento. Entre eles, tive também contato com a medicina da floresta, a ayahuasca, que fez parte do meu processo pessoal e ampliou algumas percepções que eu já vinha cultivando.

Aos poucos, uma compreensão começou a se tornar cada vez mais presente em mim: não estamos separados.

Fazemos parte de uma grande teia.

A maneira como pensamos influencia a maneira como sentimos. Aquilo que sentimos interfere na maneira como agimos. E nossas ações alcançam pessoas, relações, famílias, ambientes e, de alguma forma, o mundo que estamos construindo juntos.

Isso me trouxe uma percepção muito grande de autorresponsabilidade.

Não no sentido de acreditar que podemos controlar tudo o que acontece, mas de reconhecer que podemos escolher, cada vez mais conscientemente, como queremos estar no mundo.

E talvez seja aqui que o despertar de consciência tenha começado a ganhar um novo significado para mim.

Despertar não é fugir da vida comum.

Não é abandonar o trabalho, a família ou as responsabilidades para buscar uma existência “mais espiritual”.

Talvez seja exatamente o contrário.

É acordar dentro da própria vida.

Perceber como você acorda pela manhã. Como fala com você mesma. Como trata as pessoas. O que alimenta todos os dias em seus pensamentos. Onde coloca sua atenção.

Em uma das imersões que fiz com o Dr. Joe Dispenza, uma ideia me marcou profundamente: aquilo em que colocamos nossa atenção é onde está a nossa energia.

Desde então, tenho observado cada vez mais onde tenho colocado a minha.

E quero te convidar a observar a sua também.

Como você tem se relacionado com você mesma?

Onde está a sua atenção neste momento da sua vida?

Talvez não seja necessário encontrar todas as respostas agora.

Às vezes, despertar começa simplesmente quando temos coragem de fazer perguntas diferentes a nós mesmas.

Nas minhas buscas, percebi também que, antes de desejar transformar o mundo, eu precisava olhar para o mundo que existia dentro de mim.

Para a forma como eu me tratava. Como cuidava do meu corpo. Como contava a minha própria história. Como me amava — ou ainda estava aprendendo a me amar.

Porque aquilo que cultivamos dentro de nós, inevitavelmente, chega às nossas relações.

Hoje compreendo que contribuir com a vida não significa necessariamente fazer algo grandioso.

Às vezes, começa no modo como você entra em uma casa. Na maneira como escuta alguém. Na palavra que escolhe dizer. Na presença que oferece.

Talvez despertar a consciência não seja chegar a algum lugar.

Talvez seja estar cada vez mais presente no lugar onde já estamos.

Reconhecer nossa história sem ficarmos aprisionados a ela. Cuidar dos nossos pensamentos. Observar nossas escolhas. Ter coragem de continuar caminhando.

E compreender, pouco a pouco, que a minha vida não acontece separada da vida.

Eu faço parte dela.

Você também.

E talvez seja exatamente isso que eu queira dizer quando digo:

somos todos Um.

Com amor,

Amanda Leal 🪻

Amanda Leal
Amanda Leal

Amanda Leal é terapeuta transpessoal e está à frente dos projetos Sementes do Amor e Movimento Manifeste-se, dedicados ao cuidado, ao autoconhecimento e ao desenvolvimento humano. Sua trajetória é marcada pela criação de experiências que convidam à presença, à consciência e a uma relação mais profunda consigo mesma. É também fundadora do Tera Spa, espaço dedicado ao bem-estar e ao cuidado integral.

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