Bienal do Livro de São Paulo bate recorde e amplia espaço para saúde e bem-estar
Maior edição da história reuniu 760 mil visitantes e mostrou como a leitura continua criando encontros, conhecimento e novas conversas sobre a vida contemporânea

Em um tempo marcado pela velocidade das telas, pela circulação instantânea de informações e por novas formas de consumir conteúdo, 760 mil pessoas escolheram passar pelos corredores da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Realizada entre 4 e 13 de setembro, no Distrito Anhembi, a edição de 2026 tornou-se a maior da história do evento, superando os 722 mil visitantes registrados em 2024.
Mais do que o recorde de público, a Bienal revela uma transformação no próprio papel dos grandes encontros literários. Em uma área de 87 mil m², 269 expositores e cerca de 800 autores participaram de uma programação que reuniu literatura, cultura, educação e discussões sobre temas que atravessam a vida contemporânea.
Entre as novidades, esteve a criação, pela primeira vez, de um espaço oficial dedicado à Saúde e Bem-Estar, coordenado pelos jornalistas Michelle Loreto e Fabrício Battaglini. A iniciativa aproximou médicos, pesquisadores, escritores, jornalistas e criadores de conteúdo do público para discutir saúde física e mental, nutrição, maternidade, longevidade, autocuidado e divulgação científica.
Ao longo dos dez dias, o espaço abordou assuntos como menopausa, saúde mental, infância e uso de telas, envelhecimento saudável, mindfulness, meditação e combate à desinformação. A proposta foi aproximar ciência, literatura e cotidiano, traduzindo conhecimento especializado para uma linguagem acessível.
“Informação é saúde. As pessoas, quando estão informadas, conseguem cuidar melhor de si mesmas. A leitura não proporciona apenas entretenimento; ela também amplia o conhecimento. Queremos que o visitante saia da Bienal entendendo melhor o seu próprio corpo e sua mente, sabendo, por exemplo, o que questionar em uma consulta médica”, afirma Michelle Loreto.
Para Fabrício Battaglini, a iniciativa também representa uma responsabilidade diante da quantidade de informações que circulam atualmente. “Nosso olhar de jornalistas nos ajuda a construir mesas dinâmicas, com convidados que dominam o assunto e sabem dialogar com diferentes públicos. Queremos que o visitante leve para casa informações confiáveis que contribuam para o seu bem-estar físico, emocional, psicológico e espiritual”, destaca.
A programação reuniu nomes de diferentes áreas, entre eles Fátima Bernardes, Fernanda Lima, Ana Paula Araújo, Christian Dunker, Ana Cláudia Quintana Arantes, Daniel Becker, Alexandre Kalache, Márcio Atalla, Thelminha, Ana Escobar, André Trigueiro, Daiana Garbin, Rossandro Klinjey, Fabrício Carpinejar, Glória Vanique e Marcela Ceribelli. Também participaram as cientistas do canal Nunca Vi um Cientista e o quadrinista Carlos Ruas.
A iniciativa ainda levou serviços ao público. Entre as ações esteve a parceria com a Sociedade Brasileira de Diabetes, com exames preventivos, como medição de glicose e aferição de pressão arterial, além de orientação profissional.
Quando a leitura encontra o cuidado
A criação do espaço Saúde e Bem-Estar ajuda a entender uma mudança que atravessa a própria Bienal: o livro deixa de ser apenas um objeto de leitura e passa a funcionar também como porta de entrada para conversas sobre conhecimento, escolhas e qualidade de vida.
A dimensão econômica acompanha esse movimento. Segundo pesquisa realizada com os expositores, a média diária de faturamento cresceu 57% em relação a 2024. Algumas editoras registraram resultados ainda mais expressivos, como a Rocco, com alta de 121%, a Intrínseca, com 85%, e a Companhia das Letras, com crescimento de 67% no faturamento.
Mas há outros números que ajudam a dimensionar o alcance do evento. Foram ofertados 3,65 milhões de livros e destinados R$ 20 milhões em vales-livro, beneficiando mais de 52 mil estudantes e milhares de servidores públicos.
Mais da metade do público teve acesso gratuito à Bienal. A estrutura também incorporou iniciativas de sustentabilidade, acessibilidade e transporte gratuito entre o metrô e o Distrito Anhembi.
A Espanha, convidada de honra desta edição, ampliou ainda mais o diálogo internacional. Com o projeto “Confluências”, o país levou 50 autores e uma programação dedicada à diversidade de sua produção literária, em um estande de 500 m².
O que permanece depois da Bienal
Os números contam uma parte da história: 760 mil visitantes, milhões de livros ofertados, centenas de expositores e autores reunidos em um mesmo espaço.
Mas talvez o dado mais interessante seja menos mensurável.
São os leitores que saíram carregando livros, os jovens que descobriram autores, as famílias que compartilharam uma tarde entre estantes e as conversas que começaram diante de um palco e continuaram depois que as portas do evento se fecharam.
Em um mundo em transformação, a Bienal parece mostrar que algumas coisas não desaparecem quando novas tecnologias chegam. Elas mudam de forma, encontram novos públicos e ganham novos significados.
O livro continua sendo objeto, conteúdo e mercado. Mas também permanece como possibilidade de encontro, entre uma pessoa e uma história, entre diferentes gerações e entre conhecimento e a vida que acontece fora das páginas.

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